Guia econômico alimentar para quem mora só

congeladorSe você precisa de comida e de dinheiro para sobreviver, este texto é pra você. Sua jornada em direção à Independência Econômico-Alimentar (IEA) está prestes a começar.

Sabe aqueles seus colegas de trabalho que almoçam fora todos os dias?, sabe aquelas propagandas de pessoas felizes compartilhando sanduíches na McDonalds?, sabe aqueles restaurantes que vendem comida “fit”? Pois é, na maioria das vezes, todos eles são péssimos exemplos pra você atingir a IEA, tanto em termos econômicos quanto alimentares/nutricionais.

Na figura abaixo, por exemplo, temos um exemplo clássico de “refeição fit”. Mas o que vejo? Pão (integral ou não, vários grãos ou não), queijos, salame (!!!), leite (com café)… Isso não é “fit”, nem pro seu corpo, nem pro seu bolso!!! Se seu objetivo for aumentar a inflamação do seu corpo, parabéns, esse é o caminho! Mas se seu objetivo for realmente manter a saúde (física e econômica), isso necessariamente implica manter distância de comida industrializada: troque o pão por macaxeira, inhame ou batata doce; troque os queijos por mais algum ovo cozido ou frito; troque o café com leite por apenas café (sem açúcar, claro) e jogue fora o salame, imediatamente! Se você for rico o suficiente, coloque algumas castanhas ou amêndoas nas frutas.

fit
Isso não é fit!!!

Pronto! Agora que você já tem um gostinho do árduo caminho da IEA, vamos adiante. O que é a IEA?

A IEA é um estágio na nossa vida em que alcançamos a consciência do nosso corpo, das nossas necessidades e peculiaridades, e temos os meios econômicos para nos manter e fortalecer. Ninguém pode fazer mais pela nossa IEA do que nós mesmos. Existem interesses de terceiros para que nós não a alcancemos, para que dependamos de medicamentos, alimentos industrializados, açúcar, soja, laticínios etc. Mas esta é a Hora da Liberdade, caro hacker aprendiz. Vários pontos importantes para a sua IEA serão levantados a seguir.

– Quais são as nossas necessidades básicas? Para sobreviver de forma minimamente sustentável, precisamos de proteína, gordura e carboidrato. Proteínas fortalecem músculos, enzimas e as células de forma geral; gorduras podem armazenar muita energia em pouca massa, além de conterem substâncias importantes para reduzir o desgaste natural do corpo (efeito antioxidante), e carboidratos fornecem energia imediata ao corpo, podem ser armazenados para uso posterior e, dependendo do seu tipo, podem auxiliar na digestão de alimentos (fibras são um tipo de carboidrato).

– Quais são algumas necessidades mais específicas do nosso corpo? Vitaminas, minerais e substâncias antioxidantes. Vitaminas e minerais auxiliam diversas funções e partes do corpo (visão, pele, sistema imunológico, fertilidade, tireoide, cérebro, ossos etc), enquanto substâncias antioxidantes (inclusas algumas vitaminas e alguns minerais) atacam radicais livres, que são cátions de hidrogênio altamente reativos, capazes de causar a Maior Confusão e colocar seu corpo em Apuros…

– Quais são alguns alimentos que podem nos prejudicar? Resposta fácil, simples e polêmica: trigo (e seus derivados e semelhantes, como cevada e centeio), leite (e seus derivados), soja, açúcar, margarina, conservantes (nitritos, nitratos e vários outros de nomes complicados), temperos prontos (Knorr, Sazon, basicamente tudo o que contém glutamato monossódico), dentre vários outros. É, a vida moderna faz mal pra você.

– Qual deve ser o custo de uma refeição em busca da IEA? Muito mais baixo do que você pensa. Vou dar o meu próprio exemplo.

Meu almoço normalmente consiste de 150g de peito de frango grelhado apenas com sal e banha de porco (R$13/kg), 50g de vagem cozida no vapor(R$4/kg), 100g de macaxeira cozida (R$3/kg), 50g de cenoura cozida no vapor (R$4/kg) e um ovo cozido (R$14 por 30 ovos). Isso tudo dá um total de R$3,15. Essa refeição não tem leite (nem derivados), trigo (nem derivados), e nada do que foi citado no item anterior. E é até gostosinha – se você estiver com certo nível de fome*. Dá pra trocar macaxeira por inhame ou batata doce (praticamente mesmo preço), frango por carne bovina ou peixe (ambos um pouco mais caros), ovo de galinha por ovo de codorna (praticamente o mesmo preço por grama de proteína), vagem por beterraba e cenoura por brócolis. O preço vai ser quase igual, mas os nutrientes vão variar e se complementar. Em outros textos, falarei sobre café da manhã e jantar**.

* Hackers da IEA não se importam muito com o sabor porque só comem quando estão morrendo de fome.

** E o arroz com feijão? Talvez não seja uma boa ideia comê-los todos os dias porque contêm umas substâncias (lectinas) que podem fazer muito mal pro ser humano. Não só arroz e feijão, mas basicamente todos os grãos (milho, soja, ervilha, trigo etc) e solenáceas (tomate, batata inglesa, berinjela, dentre outros). As solenáceas são menos nocivas, mas ainda assim não é bom exagerar.

– Vale-refeição ou vale-alimentação? Caro aprendiz de IEA, na próxima vez que você encontrar algum colega que preferiu utilizar vale-refeição em detrimento do vale-alimentação, pergunte-lhe educadamente se ele tem pelo menos 50% do salário sobrando ao fim do mês. Caso a resposta seja negativa, saia correndo de perto dele e nunca mais fale com ele. Torça para que você não tenha sido acometido pela Síndrome da Irresponsabilidade Financeira, que tem feito vítimas de todas as classes sociais, em todo o Brasil e no exterior.

É óbvio que vale-alimentação é muito mais valioso do que vale-refeição. Um vale de R$20 por dia, por exemplo, equivale a cerca de R$440 por mês. Como eu gasto cerca de R$10 por dia (R$ 300 por mês) de alimentação (contando com as três refeições e várias frutas como lanche), sobrariam R$140, que eu poderia usar para esbanjar, comprando amêndoas, castanhas de caju, nozes, dentre tantas outras delícias altamente nutritivas mas caras.

Além disso, comida de restaurante normalmente vem encharcada dos alimentos ruins citados anteriormente. Fazer a própria comida implica liberdade, controle e economia.

– Mas como preparar e armazenar a própria comida? Bem, sou péssimo cozinheiro, então não vou dar receitas de culinária por aqui. O ideal seria preparar sua comida todos os dias, mas isso é inviável para muita gente – inclusive para mim. Então escolho fazer a comida da semana toda no domingo (especialmente a carne do almoço, que é mais trabalhosa), separo em porções e congelo. Na noite anterior ao dia seguinte de trabalho, pego as porções da carne e dos vegetais e coloco no meu recipiente de vidro que levarei pro trabalho, a ser esquentado no microondas. Você pode congelar, sem problemas, vagem, cenoura e beterraba cozidas, frango cozinhado, alho, abacate, acerola, coco ralado dentre outros alimentos por períodos muito longos. É importante que o recipiente levado ao microondas seja de vidro, e não de plástico, para evitar que sejam liberadas toxinas do plástico no seu alimento. Eu também deixo lá no trabalho um prato, um garfo e uma faca, para evitar ter de comer dentro do recipiente da marmita, que é bem desconfortável.

Aplicando as poucas informações desse texto no seu cotidiano, provavelmente você vai ter uma melhora na qualidade de vida e uma redução nos custos de alimentação (e remédios). Já consigo visualizar você, caro hacker aprendiz, engatinhando rumo ao Mundo da Liberdade, sendo aquecido pela Manta da Otimização Cotidiana, e desfrutando uma vida mais saudável, rica e divertida. Boa sorte na empreitada.

 

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aprendiz de burguês
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aprendiz de burguês

Fala Hacker, tudo beleza? Sigo a alguns anos a dieta páleo, em busca dos benefícios da baixa inflamação para o reumatismo (do qual padeço), e ela é bastante parecida com as orientações que prescreveste. Fiquei curioso: você segue essa dieta pelos benefícios intrínsecos ou há algum motivo mais premente (doenças, intolerâncias, etc) nessa escolha? Abraços e parabéns pelo blog, estou curtindo.